Conhecendo o México: Michoacán

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Nosso grupo todo no Monastério Franciscano de Tzintzuntzan

Graças à grande diversidade cultural do País, existem muitos Méxicos dentro do México. No último fim de semana, tive o prazer de conhecer um novo estado, bem diferente de CDMX: Michoacán, cujo nome se traduz como lugar dos pescadores. É um dos territórios mais ricos e extensos do país, com diversos sítios arqueológicos da época pré-hispânica e uma forte influência da cultura indígena até os dias atuais. Além disso, foi importantíssimo na independência mexicana, berço de alguns dos principais movimentos da inconfidência.

Próximo ao DF, é um fácil destino de viagem, levando apenas quatro horas dirigindo ou pouco menos de uma hora de avião até a capital do Estado, Morelia, um patrimônio histórico da UNESCO. Fui até lá de ônibus e fiquei impressionada com a qualidade do transporte. Viajei pela empresa ETN Turistar e, sem exagero, me senti na classe executiva de um avião. Assentos amplos e reclináveis, comida, bebida e sistema de entretenimento individual com diversos filmes, séries, documentários, jogos… Tudo por MXP$468, cerca de R$80. Experiência agradabilíssima!

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Saímos num sábado de manhã de CDMX, num grupo de seis pessoas, por volta das 9h30 e chegamos primeiramente à Morelia, na hora do almoço. De lá, fomos apanhados na rodoviária por Jaime, que é irmão de Beatriz, uma das pessoas que me acompanhavam e, coincidentemente, um guia turístico certificado da região que sabia exatamente para onde nos levar. Começamos pelo restaurante La Lupita, que serve comida tipicamente Michoacana. Estávamos em 10 e cada um fez um pedido diferente. Eu, por exemplo, pedi tacos sin grasa de frango, servidos na tortilha macia. Vieram em uma porção de quatro, estavam deliciosos e custaram apenas MXP$50, ou RS$9. A conta da mesa inteira – incluindo bebidas – Saiu cerca de MXP$850, ou seja, uns R$15 por pessoa! Dá água na boca só de lembrar…

 

mich9.pngDe lá, fomos caminhando à famosa Catedral de Morelia, feita inteiramente de uma pedra rosa típica da região. A construção, que começou em 1660 e levou 74 anos para terminar, segue o estilo Barroco e Neoclássico. Seu interior exibe um lindíssimo altar do século XVIII, chamado Manifestación de la Plata, além de um gigantesco órgão importado da Alemanha em 1905, que foi, por muito tempo, o maior do hemisfério ocidental. Do lado de fora, se vêem os sinos, no alto das torres de 70m de altura. O templo é considerado um dos mais bonitos do México e visitá-lo é emocionante. Pensei muito em minha avó, católica devota. Dalí, demos uma rápida volta pela cidade, que é lindíssima, cheia de detalhes e respira história. Fiquei morrendo de vontade de voltar para conhecê-la com calma.

mich5Nossa próxima parada foi Pátzcuaro, cidade que começou a ser construída em 1324 e foi a capital do estado pré-hispânico Tarascan. Construída ao redor do lago homônimo, foi lugar de diversas batalhas entre grupos indígenas que habitavam a região, que era formada por diversos povoados, entre eles Ihauatzo e Tzintzuntzán e possui, até hoje, diversas ruínas da tribo dos Chichimecas. Depois da chegada dos espanhóis, Vasco de Quiroga, um missionário da época, uniu os povos e trabalhou duro para que ela fosse a capital da Nova Espanha, o que acelerou seu crescimento econômico e cultural.

mich4Até os dias atuais, o município tem uma grande preocupação em manter seu estilo colonial-indígena. Propagandas são proibidas por lá, todo o comércio segue uma padronagem negra e ocre nos letreiros, as casas são feitas de adobe e/ou madeira e os telhados são rústicos. As calçadas seguem o estilo português e caminhar por elas é uma viagem no tempo. Graças a essa preocupação com a tradição, Pátzcuaro é o lugar perfeito para comprar artesanatos típicos e conhecer um lado único do México.

ATENÇÃO BALADEIROS: a cidade é super pacata e a maior parte dos restaurantes fecha suas portas as 20h30. Os lugares que vão até mais tarde encerram as atividades as 22h, então programe-se para curtir o dia. Uma das poucas opções que encontramos abertas depois desse horário foi o El Carajo, que é um lugar para sentar e degustar uma das bebidas típicas do país: o Mezcal. Antes da meia-noite, já estávamos todos recolhidos no hotel para aproveitar nosso domingo por lá.

mich6No dia seguinte, Jaime nos levou por um tour ao redor do Lago Pátzcuaro e conhecemos diversos povoados indígenas, todos seguindo a mesma padronagem rústica. Fizemos três paradas: A primeira delas foi num observatório bem alto, de onde se via a Ilha de Janítzio, famosa por ter uma estátua de 40 metros de altura de José Maria Morelos, padre rebelde que lutou pela independência mexicana. Dentro do monumento, existe um extenso mural que conta sua história e fiquei morta de vontade de voltar para fazer a travessia e conhecer de perto. Em seguida, paramos no belo hotel Hacienda Ucazanaztacua, que oferece vista para a água e tem um lindo restaurante. Por último, conhecemos Tzintzuntzan, lar de um Monastério Franciscano que data do século XVI e uma feira de artesanatos enlouquecedora. Lá também se encontram as ruínas das Yácatas, pirâmides pré-hispânicas em formato semi-circular, que infelizmente não tivemos tempo de conhecer.

mich3Voltamos à Pátzcuaro para o almoço e as últimas compras antes de voltar para casa. As comemorações do Dia de Los Muertos na cidade são muito famosas, então vários artesãos vendem Calaveras Catrinas, os esqueletos femininos feitos geralmente de madeira, papel-machê ou cerâmica com trajes elegantes e adornados com flores. Sou apaixonada por elas, pois meu aniversário é no Dia de Finados e trouxemos uma dessas lindezas para casa. Fomos embora já pensando em talvez voltar para celebrar a data lá e conhecer melhor essa linda região com tanta história pra contar!

 

Fontes:
Morelia

Pátzcuaro
Michoacán

 

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