Diário de Pré-Viagem: Últimos dias no Trabalho

De todas as coisas as quais estou abrindo mão para a mudança, a saída do trabalho, particularmente, é dificílima. Dou aulas de inglês para adultos e amo o que faço. Engraçado isso, pois resisti bastante para começar a dar aulas.

Aos que não sabem, vivi 6 anos nos EUA. Foram dois anos em San Diego-CA, onde fiz intercâmbio e estudei três cursos de extensão na UCSD, e o resto do tempo em Miami-FL, onde trabalhei em dois bancos: Wells Fargo e Banco do Brasil Americas. Quando decidi voltar ao Brasil, dada a experiência e currículo que acumulei nesses anos, busquei posições prestigiosas e com salários altos, mas não consegui nada. Em uma empresa, cheguei a escutar uma “piada” dizendo que mulheres sem filhos, depois dos 30, são licenças-maternidade esperando para acontecer.

Depois de algum tempo trabalhando no restaurante da família em Santos, minha cidade-natal, resolvi escutar aos conselhos de uma amiga e arriscar-me como professora. Aceitei participar do processo seletivo que incluía treinamento em uma escola e percebi que, apesar do nervoso inicial, eu levava bastante jeito para a coisa. Durante o período em que fiquei lá, notei que as aulas apenas com pessoas acima dos 30 anos eram muito mais prazerosas para mim, então passei a dar aulas particulares a executivos, focando mais para frente no ramo bancário. O resultado não poderia ter sido melhor.

teacher emojiSer professor é uma coisa meio super-herói. Seu trabalho pode, efetivamente, mudar a vida de alguém. Cada aluno é totalmente diferente do outro, então você aprende a lê-los e cria um ambiente onde, além do inglês, artigos sobre política, finanças, tecnologia, cultura etc sejam discutidos. Você cria relacionamentos. Para alguns, você se torna psicóloga. Para outros, um confessionário. Para poucos, amiga. Mas para todos, você é a Teacher, a pessoa que está ali para ensinar a eles confiança na própria capacidade e superação.

Ensinar é um ato de amor, paciência e empatia, em um processo que começa antes da aula e se extende para além dela. Como professora, você sente revolta em ser tão mal-remunerada e ver que, para muitos, a profissão é vista como “bico”. A mudança é, em parte, por motivos financeiros. É muito difícil viver em São Paulo com salário de professor, e olha que trabalho para uma escola que paga acima da média. No México, apesar de um número mais elevado de profissionais que falam inglês, ainda existe uma grande quantidade de pessoas interessadas em aprender e aperfeiçoar o idioma.

Será que vai rolar Teacher Mari no México? Se cuida, professora Helena!

“Teachers affect eternity: No one can tell where their influence stops.” – Henry Brooks Adams.

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2 thoughts on “Diário de Pré-Viagem: Últimos dias no Trabalho

  1. E eu tive esse privilégio de ser professora no Myanmar! É muito gratificante, Senhor. Umas das maiores e melhores experiências da minha vida.

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